O futuro do transporte rodoviário de passageiros é compartilhado, como sempre foi!

Se tem algo que podemos falar sobre o transporte rodoviário de passageiros é que, em sua essência, ele é compartilhado. Na esteira das mudanças comportamentais e das transformações das formas de viagens, não podemos negar a importância de estarmos atentos às inovações e às novas tendências, mas também é preciso entender que ressignificar a prestação de serviços desse setor passa pelo reconhecimento que, sendo um transporte público coletivo, as viagens de ônibus das linhas regulares são compartilhadas. Sob esse aspecto, a nossa defesa pelo transporte rodoviário regular, se reveste da lógica sustentável, quando nos apresentamos como uma alternativa ao transporte individual.

Iniciado no tema de mobilidade e transporte, antes mesmo de começar minha trajetória na Socicam, o que ocorreu em 2008, me considero um entusiasta do assunto. Como sempre digo, quem é “picado” pelo mosquitinho da mobilidade e do transporte apaixona-se pelo tema e não o abandona.

Com formação em Ciências Contábeis pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, pós-graduação em Transportes Terrestres pela Politécnica de Madrid – quando tive a oportunidade de morar na cidade espanhola – MBA em Gerenciamento de Projeto na Fundação Getúlio Vargas, além de uma pós-graduação em Gestão de Negócios, pela Fundação Dom Cabral, sempre busquei me aprofundar e me atualizar na discussão sobre a mobilidade.

Ao longo dos meus 12 de Sociam pude vivenciar momentos importantes da evolução da companhia e, consequentemente, do setor rodoviário. Cheguei na empresa como supervisor de novos negócios, onde tive a possibilidade de trabalhar em diversos projetos inovadores, como os terminais rodoviários de Brasília (DF) e Campo Grande (MS) que foram construídos pela empresa. Além disso, foi na implementação desses empreendimentos que me apaixonei pela área operacional e acabei sendo convidado para ser supervisor de operação dentro da Diretoria Operacional – à época, responsável pela gestão desses terminais rodoviários.

Como a Socicam é uma empresa muito dinâmica, tempo depois assumi a gerência de operações da Divisão de Empreendimentos Especiais, para em 2014 passar a dirigir essa mesma Divisão, que cuidava de alguns importantes terminais rodoviários, como o de Campo Grande, Brasília, Campinas, Puerto Montt (no Chile) e a gestão comercial do Aeroporto de Goiânia. Mais recentemente, com o redesign organizacional realizado pela empresa, frente aos desafios trazidos pela pandemia, agremiamos os importantes terminais rodoviários da capital paulista e a nossa Divisão passou a ser denominada de Divisão Terminais Sul.

Percorrendo essa jornada pude acompanhar e atuar no desenvolvimento do setor e notar como o trabalho da Socicam tem ajudado a revolucionar o modal rodoviário nos últimos 15 anos. Os novos terminais rodoviários trazem uma série de novidades que fazem toda a diferença. Hoje, um terminal rodoviário é um local arejado, iluminado, limpo, dotado de conforto, segurança e com uma gama completa de lojas, restaurantes e serviços. Extrapolamos uma visão de uma infraestrutura de apoio às viagens de chegadas e partidas das cidades e passamos a nos conceber como espaços diversificados e integradores, além de multimodais.

Quando falamos em aplicação das inovações tecnológicas fica claro o salto dado pelo setor, elevando a qualidade do transporte para os passageiros e a eficiência dos serviços para os operadores e gestores públicos. Com a Internet e a automação das coisas foi possível acelerar as mudanças e fornecer soluções reais para o sistema. Vale citar a modernização dos processos de comercialização de passagens, de controle de embarque, mas também a revolução nos veículos que foram dotados de sistemas com sensores que podem registrar informações sobre a rota, a condução do motorista, consumo de combustível, status do veículo e até o status do tráfego.

Mas esse processo requer uma melhoria contínua. É preciso sempre observar novas tendências, projetar e desenvolver cenários de futuro e nos preparar para possíveis contingências. A pandemia da COVID-19 forçou os operadores do sistema a projetarem um sistema de transporte melhor, mais resiliente e sustentável. Particularmente enxergo, nas incertezas e inquietações que esse momento nos traz, um punhado de oportunidades. Uma situação que nos proporciona um aprendizado ímpar. É um momento de reinvenção, tanto para os negócios quanto para a sociedade.

Vejo por exemplo nessa disponibilidade das pessoas em repensarem os estilos de vida, as formas de estarem no mundo, mas também de movimentarem, uma excelente oportunidade. Agora que as pessoas estão formando novos padrões comportamentais, a mudança é um caminho inexorável. E o nosso desafio é projetar um sistema que possa acomodá-los.

Falando mais especificamente sobre os terminais, enxergo com grande entusiasmo o futuro do nosso negócio. Basta termos em mente que em 1997, o Terminal Rodoviário do Tietê teve 22 milhões de embarques e desembarques. Em 2019, foram 20 milhões. Se analisarmos como o mercado mudou entre 1997 e 2019, considerando a evolução e expansão do setor aéreo e o surgimento de uma série de tecnologias e novos modelos de negócios, que impactaram o setor de transporte rodoviário de pessoas, percebemos como os números continuam robustos. Há espaço para melhoria e é com esse foco que trabalhamos: melhorar a experiência do cliente, contribuindo na jornada do passageiro.

Para o futuro, nossa frente de trabalho está focada na inovação e na experiência do usuário. Precisamos trabalhar para mostrar que o setor rodoviário de passageiros é, na verdade, o grande pioneiro no compartilhamento de viagens. Fazendo uma autocrítica, o setor realmente se acomodou por um longo período, mas hoje despertou e tem trazido uma série de novidades e inovações, que trarão a nova geração para junto dos ônibus.

O futuro do transporte de passageiros rodoviários é compartilhado, como sempre foi, desde o seu nascimento!